Estação arqueológica fechada devido a atos de vandalismo

A estação arqueológica do Cabeço do Vouga, que alguns investigadores dizem ser o local histórico da cidade romana de Talábriga, está fechada devido a atos de vandalismo.

“É um facto que a estação arqueológica está fechada e a razão fundamental são os sucessivos atos de vandalismo. Já fizemos de tudo: vedámos o espaço, colocámos câmaras e em vez de identificar os criminosos [estes] acabam por levar as câmaras de vigilância”, explicou Jorge Almeida, presidente da Câmara de Águeda à agência Lusa.

O temporal de 2013 destruiu a estrutura de proteção que cobria a área onde foram realizadas sucessivas campanhas de escavação e as estruturas soterradas ficaram à mercê das chuvas, da vegetação, de curiosos e de caçadores de tesouros.

“Estamos a pensar sinceramente cobrir novamente todas aquelas instalações para não se degradarem. O que está à vista são meramente muros e todas as peças foram retiradas. Temos tudo isso preservado”, garante.

A importância arqueológica do local pode justificar o reforço de medidas de segurança, mas questiona-se se o Cabeço do Vouga será a antiga cidade de Talábriga.

Museu virtual

Para dar a conhecer o conteúdo arqueológico existente, a Câmara de Águeda está a desenvolver um conjunto de aplicações virtuais.

Pedro Alves, chefe de divisão da Câmara de Águeda, explica que está a ser feita “a virtualização dos vários períodos históricos que ocorrem naquele local”.

“O que a câmara está a fazer é a pegar nos vestígios arqueológicos e fazer uma reconstrução digital das várias épocas. Com um ‘smartphone’ ou um ‘tablet’, quem for ao local vai conseguir imediatamente visualizar todo aquele espaço e o seu funcionamento no passado, através de uma rede wi-fi local”, explica.

Vai ser também criado um museu virtual, onde é feita a reconstituição digital das peças encontradas.

“A partir de um pequeno pedaço de cerâmica, nós construímos o que era a peça. Fazemos este museu virtual e simultaneamente permitimos uma visita guiada digital, feita pela própria pessoa, no contexto da estação arqueológica e com outra riqueza que um simples painel nunca consegue dar àquele espaço. É esse trabalho que estamos a desenvolver e que muito em breve verá também a luz do dia”, disse.

Em termos de intervenção física vão ser reforçados os contrafortes e a limpeza da vegetação, bem como retomadas as escavações por um grupo de quatro voluntários europeus, enquadrados pelo Centro de Juventude de Águeda.

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