O AgitÁgueda é um ótimo pretexto para vir ao maior município do distrito de Aveiro, mas não é o único. Águeda também é dona e senhora de uma lagoa natural única, de aldeias tradicionais, museus detentores de um património ímpar e cerca de 100 quilómetros de circuitos pedestres.

Foi sendo conhecida como a capital da bicicleta, devido à quantidade de indústrias do setor das duas rodas. Depois, afirmou-se como uma smart city, destacando-se mesmo como um dos maiores exemplos a nível nacional. Mas há algo que começa a ser cada vez mais evidente: Águeda é uma cidade com uma dinâmica cultural invejável, muito por força de colectividades como a d’Orfeu ou do seu novíssimo Centro de Artes. E também pelo peso que começa a ganhar, por estas bandas, a arte urbana. Pelas ruas da cidade há já várias instalações para apreciar, num circuito que não pára de crescer por obra e graça de um festival que leva o nome de AgitÁgueda e que atrai milhares de visitantes.

São 23 dias de festa rija e que acabam por apresentar-se como apenas mais um bom motivo para vir a este concelho da região de Aveiro. Águeda também é dona e senhora de uma lagoa natural única, de aldeias tradicionais, museus detentores de um património ímpar e cerca de 100 quilómetros de circuitos pedestres. E se há coisa que importa relevar é a diversidade da paisagem: tão depressa está quase ao nível do mar como atinge os 760 metros de altitude.

Serra do Caramulo

Da baixa da cidade até à montanha é um saltinho. Dúzia e meia de curvas e contracurvas e, ao fim de uns 20 ou 30 minutos, já estamos nas encostas da serra do Caramulo. A aldeia Urgueira atrai milhares de visitantes para ver o forno comunitário que por ali existe.

Numa placa informativa junto ao forno, é explicada o porquê deste forno comunitário ter tanta fama. Tudo devido ao “milagre da Urgueira” onde um homem entrou no forno, já a elevadas temperaturas, para colocar pão a cozer e de pés descansos. O individuo entrou com uma flor viva na boca e saiu com ela mais colorida que nunca.

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O feito acabou por ser considerado um milagre e anualmente cumpre-se a romaria à Senhora da Guia e o “milagre” é recriado: um homem entra no forno para retirar o pão com as suas próprias mãos. E, jura a pés juntos quem já teve oportunidade de testemunhar o feito, o pão que sai deste forno não apanha bolor.

Macieira de Alcôba é uma das aldeias serranas de Águeda dignas de visita. Já foi sede de freguesia e merece uma visita mais prolongada, para caminhar ao longo do seu casario de granito, visitar os moinhos de rodízio e descobrir o Centro Interpretativo do Milho Antigo: um espaço que explica o ciclo do milho (do grão ao pão).

No centro desta aldeia também encontrará um restaurante que pretende ser uma montra dos melhores produtos das aldeias serranas. Instalado na antiga escola primária, o espaço não renega o passado, mantendo o ambiente das antigas salas de aulas do Estado Novo com uma boa dose de sabores tradicionais. Aqui come-se bacalhau com broa, cabrito assado, lampantana ou vitela, por exemplo.

Praias fluviais e pateira

Falar de Águeda sem mencionar a Pateira seria um grande pecado. Bem vistas as coisas, esta lagoa natural constitui o maior ex-líbris natural do concelho e está classificada como importante zona húmida. Especialmente procurada para a observação de aves, pesca desportiva, fotografia de natureza e actividades ao ar livre, a Pateira é conhecida localmente como a “lagoa encantada”. Tem uma área de cerca de cinco quilómetros quadrados e goza da fama de ser “uma das maiores lagoas naturais da Península Ibérica”.

Para quem gosta de andar à beira (ou dentro) da água, há ainda as opções dos parques fluviais do concelho: Souto do Rio, Redonda, Alfusqueiro e Bolfiar. Em cada um deles encontrará zonas verdes e águas cristalinas, com a possibilidade de ir a banhos.

Águeda e a Cultura

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Águeda é um município pujante a nível cultural. Além das quase 30 obras de arte urbana que estão presentes nas ruas da cidade a cidade guarda uma coleção de cerca de 5000 obras — pinturas, esculturas, joalharia e relojoaria — de grande valor. Faz parte do espólio da Fundação Dionísio Pinheiro e Alice Cardoso Pinheiro, que tem as suas portas abertas ao público.

Também no Centro de Artes de Águeda, que conta com pouco mais de um ano de vida, as artes plásticas encontram um palco privilegiado. Além de um auditório com capacidade para quase 600 espetadores, este centro tem uma sala de exposições temporárias com cerca de 600 metros quadrados de área.

Noutra vertente da cultura, mais concretamente na música, os holofotes viram-se para um espaço em particular, o da associação d’Orfeu. A colectividade que é responsável por produções como o Festim, Gesto Orelhudo, Outonalidades e o Festival i, e que conta com uma escola de palco, abre as portas do seu espaço ao público, com regularidade, para vários concertos e apresentações. Fundada em 1995, a colectividade que nasceu pela mão de quatro irmãos músicos envolve cerca de 400 pessoas.

Museu Ferroviário

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As viagens no comboio histórico do Vouga, iniciadas no Verão do ano passado e retomadas no passado dia 30 de Junho, vieram trazê-lo para a ribalta, mas nunca é de mais lembrar: em Macinhata do Vouga, existe um museu ferroviário que guarda várias relíquias.

Instalado junto à estação de comboios de Macinhata, neste espaço museológico encontrarás vários tipos de locomotivas e veículos relacionados com os comboios. A máquina mais antiga é do ano de 1886, destacando-se, ainda, as automotoras dos anos 40 do século passado, que tinham 1.ª e 3.ª classe, e foram construídas nas oficinas de Sernada do Vouga. Também encontrarás por ali, por exemplo, um quadriciclo a motor, dos anos 1920-30, que servia para inspeções à linha e era utilizado pelos inspectores. A melhor forma de aceder a este museu é de comboio, seja através das viagens históricas ou das linhas regulares do “Vouguinha”, mas também é muito fácil lá chegar de carro.

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