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Albergaria-à-Velha é o município europeu com mais moinhos

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Em Albergaria-a-Velha, na região de Aveiro, existem um total de 356 moinhos. Oito estão devidamente recuperados e dão corpo a uma rota. Em breve, serão mais 10 a estar ao alcance do público.

Sendo um município com fortes tradições no fabrico do pão – a sua regueifa é extremamente conhecida -, Albergaria-a-Velha é um local onde não faltam moinhos, moleiros e padeiros. Segundo um inventário realizado no ano passado, por dois investigadores, este concelho da região de Aveiro conta com um total de 356 moinhos – essencialmente de água. É verdade que nem todos se encontram no melhor estado de conservação, mas essa realidade tem vindo a mudar em virtude da aposta que o município está a fazer na sua recuperação e divulgação, com a criação da Rota dos Moinhos. Para já, há oito moinhos para visitar – devidamente requalificados e sinalizados -, mas em breve esse número irá aumentar, uma vez que estão mais 10 engenhos a ser alvo de obras de recuperação.

Contas feitas, “este será o município da Europa com mais moinhos”, atesta Delfim Bismarck, historiador que desenvolveu o inventário, em parceria com Armando Carvalho Ferreira, e que desde Outubro do ano passado – após as eleições autárquicas – passou a assumir o cargo de vereador da Cultura na autarquia local. Perante esta quantidade expressiva de moinhos no seu território, Albergaria-a-Velha em boa hora decidiu assumir a aposta na valorização deste património edificado, na perspectiva de este ser “um produto turístico diferenciador”, vinca Delfim Bismarck. A palavra de ordem, agora, é proteger e requalificar o máximo de moinhos que for possível. “O PDM [Plano Director Municipal] tem previsto um parque molinológico, único no país, criando ali uma zona protegida”, assevera o vereador da Cultura.

A trabalhar há mais de 100 anos
A Rota de Albergaria-a-Velha é constituída pelos moinhos do Regatinho, da Quinta da Ribeira, de Baixo, do Porto de Riba, da Freirôa, do Chão do Ribeiro, do Ti Miguel e do Maia, que estão espalhados por vários locais do concelho. Entre estes engenhos já devidamente recuperados encontram-se alguns verdadeiros “tesouros”, seja pela história que têm para contar – os moinhos do Regatinho, por exemplo, estão a trabalhar há mais de 100 anos sem parar -, seja pela paisagem natural dos locais onde estão edificados. A grande maioria destas estruturas encontra-se implantada ao longo do Rio Caima, mas também podemos encontrar vários moinhos ao longo dos rios Fílveda e Jardim, e nas ribeiras de Albergaria-a-Velha, Fontão, Frias, Fial e Mouquim.

Os engenhos foram edificados nos séculos XVIII e XIX, com recurso a materiais de construção locais, e eram usados para a moagem do milho e do trigo, na certeza de que alguns destes moinhos eram também usados para o descasque do arroz produzido na região de Aveiro (Baixo Vouga). No Moinho do Porto de Riba, essa actividade de descasque do arroz ainda se mantém, a par com a moagem do milho. “No caso do arroz, a mó tem uma placa de cortiça para evitar que se parta o grão”, explica Isabel Fonseca, “moleira” de serviço neste engenho que é actualmente propriedade da APPACDM (Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental) de Albergaria-a-Velha.

Em finais de 2011, a colectividade sediada em Soutelo passou a ser proprietária do Moinho por doação de um particular. Depois só precisou de colocar mãos à obra. “Estava tudo degradado, a precisar de obras, e cheio de silvas, mas conseguimos envolver os colaboradores da associação nesta tarefa”, relata Isabel Fonseca. As obras foram sendo feitas aos poucos, consoante as disponibilidades, “graças à ajuda de todos”, evidencia a dirigente da APPACDM. “As pessoas aqui do lugar sempre estiveram muito ligadas aos moinhos. Quase todas as famílias tinham de recorrer a eles para moer o milho”, desvenda Isabel Fonseca, para explicar esta “onda de solidariedade” que se gerou em torno do Moinho do Porto de Riba.

Engenhos de uso comunitário
Segundo reza a história, muitos dos moinhos eram de diversos proprietários e eram utilizados de acordo com um horário previamente acordado entre todos os utilizadores. Era o caso da avó de Isabel Fonseca. “Lembro-me de, em criança, ir com ela aos moinhos”, testemunha esta dirigente associativa que, agora, é também “moleira”, ainda que apenas nas horas vagas. “Aprendi alguma coisa com um moleiro para conseguir ter o moinho a funcionar, mas volta e meia tenho de recorrer à ajuda dele”, confessa.

A APPACDM não é a única colectividade do concelho a “abraçar” esta causa de defesa dos moinhos de Albergaria-a-Velha. Também o Rancho Folclórico de Ribeira de Fráguas assumiu a tarefa de recuperar o Moinho de Baixo e está já a requalificar um segundo moinho.

Além de terem encetado as obras de restauro dos moinhos, tanto as associações como os proprietários particulares têm, agora, também de responsabilizar-se pela abertura dos engenhos durante as tardes de domingo. A cada fim-de-semana, os visitantes de Albergaria-a-Velha têm sempre a garantia de encontrar um moinho de portas abertas (mediante uma escala que está disponível no Serviço de Turismo da câmara de Albergaria-aVelha).

Uma marca de farinha “gourmet”
A revitalização dos primeiros oito moinhos da rota já começou a dar frutos – farinha, melhor dizendo. Autarquia e moleiros uniram-se e decidiram criar uma marca própria de farinha. Chama-se “Alva” e irá estar à venda, dentro de pouco tempo, em lojas de produtos “gourmet”.

“É uma farinha diferente, porque é feita de milho não transgénico e a moagem é feita através do sistema tradicional”, destaca Delfim Bismarck, a propósito das qualidades da “Alva”. Este novo produto foi apresentado recentemente ao público, por ocasião da realização do Festival do Pão, que levou milhares de visitantes a Albergaria-a-Velha.

A “Alva” tem o chefe Hélio Loureiro como “padrinho” oficial e aguarda apenas pela conclusão do processo de certificação para ser colocada no mercado. No rótulo, a farinha tradicional de Albergaria-a-Velha exibirá um selo alusivo à Rota dos Moinhos. Com as receitas provenientes da sua comercialização, os moleiros poderão obter receitas para continuar a investir nos seus engenhos.

Público

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Parlamento aprova recomendações sobre Linha do Vouga.

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O Parlamento aprovou hoje recomendações dos partidos sobre a Linha do Vouga.

A Assembleia da República aprovou hoje, em Plenário, o Projeto de Resolução que Recomenda ao Governo que requalifique e modernize a Linha do Vouga, ligando-a à Linha do Norte (em Espinho) e incluindo-a no Plano de Investimentos Ferroviários 2016-2020. O Projeto teve votos favoráveis do PSD, BE, CDS-PP, PCP, PEV e PAN, e abstenção do PS.

Atualmente, a Linha do Vouga é o único troço de bitola métrica ainda em exploração, desenvolvendo-se em dois ramais – Aveiro/Águeda e Espinho/Santa Maria da Feira/São João da Madeira/Oliveira de Azeméis/Albergaria-a-Velha, servindo 44 estações e apeadeiros, numa extensão de 96 quilómetros, estando suspensa a circulação ferroviária de passageiros entre Oliveira de Azeméis e Sernada do Vouga.

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O vídeo do Guardian sobre o incêndio de Pedrógão Grande que não deixa ninguém indiferente

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Madremedia

Pouco mais de três meses depois, o jornal britânico The Guardian publicou um vídeo de dez minutos sobre o maior incêndio.

“O maior incêndio de Portugal: “Pensámos que íamos todos morrer”” é o título de uma reportagem em vídeo de dez minutos feita pelo britânico The Guardian, em Portugal, aquando da tragédia de Pedrógão Grande – que vitimou 64 pessoas, destruiu perto de 500 habitações e fez um número incontável de feridos.

Agora publicada, a reportagem percorre o incêndio do dia 17 de junho, da Pedrógão Grande a Nodeirinho, não esquecendo a terrível tragédia na que viria a ficar conhecida como ‘Estrada da Morte’, a EN236, onde morreram 47 pessoas, reunindo testemunhos de habitantes e imagens devastadores do maior incêndio que alguma vez assolou Portugal.

“O barulho era próprio de alguém que existia, não é? E agora não existe. Perdemos tudo”, ouve-se dizer uma sobrevivente do incêndio, que se refugiou com a sua família no tanque da sua casa. Três meses depois estas são as imagens que o Guardian leva aos seus leitores para que, com distância, se perceba o que aconteceu, como aconteceu e como se podia ter evitado o incêndio:

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Como era Águeda antigamente?

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Uma imagem vale mais que mil palavras. O crescimento de Águeda pode ser testemunhado pelas fotos de antigamente, que nos dão uma panorâmica enriquecedora do que éramos e do que fomos capazes de construir, enquanto comunidade.

agueda

Espolio Fotografico Portugues

Esse património de conhecimento local, encontra-se disperso por inúmeros cidadãos que foram guardando em fotografia essas memórias e que se forem partilhadas com todos, constituirão um património de enorme potencial para o enriquecimento das gerações mais novas, fazendo crescer o gosto e o orgulho de ser Aguedense.

Envia as tuas fotos da cidade antiga para o email comunicacao@cm-agueda.pt.

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