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A pizzaria Suprema com casa cheia

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O dono garante que foi ainda mais longe, investindo “entre três e quatro mil euros” para atualizar o restaurante de Águeda.

“Fomos gastando mediante as necessidades mas comprámos frigideiras novas [no programa, as velhas foram para o lixo e teve de ser Stanisic a levar novas], mais fardas e agora temos produtos sempre frescos.”

Antes até os cogumelos eram de lata e o pizzaiolo, Ricardo, nunca sequer tinha provado o produto fresco. “Agora tenho de ir muitas vezes ao supermercado mas vale a pena para manter a qualidade”, diz Pedro Duarte.

Ele era o homem “com desculpas para tudo”. Ljubomir Stanisic (Chef do programa) ordenou-lhe que deixasse de mandar, saísse da cozinha e se mantivesse a servir às mesas. A sugestão continua a ser cumprida, embora o dono d’O Suprema admita que circula “um pouco por todo o lado”. “Sou uma espécie de relações públicas, acolho os clientes, sirvo, às vezes vou à cozinha.”

Em relação à mudança de cargo com a mulher, Patrícia, garante estar satisfeito: “Ela é mais moderada, eu respeito o que ela diz.”

A vida do casal melhorou, até fora do restaurante. Patrícia confirma: “É verdade, ele dá-me muito mais ouvidos agora.”

A única coisa que ainda não conseguiram corrigir foi o facto de não terem férias nem folgas há anos. A pizzaria está aberta sete dias por semana e, apesar de os empregados terem folgas rotativas, o mesmo não se aplica aos donos. Pedro Duarte garante que estão a tentar “definir um dia” mas a mulher acrescenta que, para já, e enquanto o negócio não estiver estabilizado, “é impossível abandonar o barco”.

Suprema

Em novembro, quando Ljubomir Stanisic esteve no local, a equipa tinha seis pessoas — uma cozinheira, um ajudante, um pizzaiolo, os donos e um empregado de mesa. Este último, o espanhol Manuel, é o único que já não trabalha na pizzaria. Agora, há uma jovem na sala, à experiência, e outras duas na cozinha a fazerem um estágio.

Para Patrícia, um dos maiores contributos do chef do 100 Maneiras foi a formação que deu à equipa. “Foi o mais significativo, as palavras foram muito importantes e, sobretudo, o que ele nos ensinou.”

No primeiro almoço após a transmissão de “Pesadelo na Cozinha” serviram-se entre 60 a 70 refeições, contra as cerca de 50 habituais. Além dos habitantes de Águeda, houve clientes de Santa Maria da Feira e Oliveira de Azeméis e até “um casal de Lisboa que estava a passar o fim de semana em Aveiro e quis ver como isto era depois do programa”, conta Pedro Duarte.

O casal estava “com muito medo” antes da emissão, e sobretudo depois das promos televisivas terem mostrado os excertos mais caóticos, mas agora a pressão diminuiu e acreditam que o negócio vai melhorar.

Desde novembro as contas ficaram mais equilibradas mas, embora haja dinheiro para as despesas e os funcionários, os dois continuam sem ordenados fixos. O lucro não foi imediato na renovada pizzaria porque, segundo os próprios, muitos clientes não entenderam as alterações na carta.

“Primeiro foi difícil aprender a fazer os pratos, porque agora somos um restaurante italiano mais gourmet. Depois foi preciso explicar tudo aos nossos clientes mais antigos, que não estavam a perceber”, diz Pedro Duarte.

Já não há combinações a 3€, mas há sugestões diárias de 5€ (apenas um prato, que pode variar entre lasanha, francesinha, bacalhau à Brás ou lombo no forno). E sim, Ljubomir Stanisic sabe disto.

Contudo, as pizzas são agora a especialidade — com menos massa e ingredientes melhores — e a opção mais pedida.

Patrícia diz que está mais aliviada e confortável no seu cargo, longe do stress que a deixou paralisada quando Ljubomir Stanisic a encarregou de supervisionar o restaurante. É ela que continua a fazer a ponte entre cozinha e a sala, e as compras são agora feitas pelos dois membros do casal.

No ecrã, Pedro Duarte surgia sempre sorridente. Mesmo quando reconhecia os problemas do espaço onde trabalha há 21 anos, parecia que nunca se passava nada com ele e que a culpa era dos outros. “Precisava de um puxão de orelhas”, admite, garantindo que não se arrepende da participação em “Pesadelo na Cozinha”.

Foi ele que viu na TVI a abertura das candidaturas em julho e, quando chegou a casa, disse a Patrícia que deviam inscrever-se. Um mês depois, uma equipa da Shine Iberia, a produtora do programa, estava lá para uma primeira reunião.

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Na Pizzaria Suprema os almoços do primeiro dia após a emissão terminaram já depois das 15 horas. Depois, funcionários e donos sentaram-se para uma refeição de peito de frango com puré. E, contrariamente ao que acontecia, “não é instantâneo”, garante Patrícia.

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